Genes que auxiliam na cicatrização da medula espinhal na lampreia também estão presentes em humanos

Por janeiro 15, 2018Blog ‘Chromosome News’

 

Coluna Espinhal

Muitos dos genes envolvidos no reparo natural da medula espinhal lesada da lampreia também são ativos na reparação do sistema nervoso periférico em mamíferos, de acordo com um estudo realizado por um grupo de cientistas no Laboratório de Biologia Marinha (MBL), nos Estados Unidos, e outras instituições.

Essa descoberta confirma a possibilidade de que, a longo prazo, estes mesmos genes, ou similares, possam ser aproveitados para melhorar os tratamentos de lesões da medula espinhal em humanos. “Encontramos uma grande sobreposição (overlap) com o centro dos fatores de transcrição que fazem a regeneração no sistema nervoso periférico de mamíferos”, diz Jennifer Morgan, diretora do Centro Eugene Bell de MBL para Biologia Regenerativa e Engenharia de Tecidos de MBL, um dos autores do estudo publicado esta semana.

As lampreias não têm maxilas, são peixes tipo enguias que compartilham um ancestral comum aos humanos há cerca de 550 milhões de anos. Este estudo surgiu da observação de que uma lampreia pode se recuperar completamente de uma medula espinhal cortada sem medicação ou outro tratamento. “Elas podem passar da paralisia total aos movimentos completos de natação em 10 a 12 semanas”, diz Morgan.

“Neste estudo, nós determinamos todos os genes que mudam durante o período de recuperação e, agora que temos essa informação, podemos usá-la para testar se percursos específicos são realmente essenciais para o processo”, diz Bloom.

Os pesquisadores acompanharam o processo de cicatrização das lampreias e levaram amostras dos cérebros e das medulas espinhais em múltiplos momentos, desde as primeiras horas após a lesão, até três meses depois, quando ficaram curadas. Eles analisaram o material para determinar quais genes e vias de sinalização foram ativados em comparação com uma lampreia não ferida.

Como era esperado, eles encontraram muitos genes na medula espinhal que mudam ao longo do tempo de recuperação. Eles também descobriram uma série de alterações de expressão gênica induzidas pelas lesões no cérebro, o que foi uma surpresa. “Isso reforça a ideia de que o cérebro muda muito depois de uma lesão da medula espinhal”, diz Morgan. “A maioria das pessoas está pensando: o que você pode fazer para tratar a medula espinhal? “, mas nossos dados realmente dão suporte à ideia de que existe muita coisa acontecendo no cérebro também “.

Eles também descobriram que muitos dos genes associados na cicatrização da medula espinhal são parte da via de sinalização Wnt, que desempenha um papel no desenvolvimento de tecidos. “Além disso, quando tratamos os animais com uma droga que inibe a via de sinalização de Wnt, os animais nunca recuperaram a habilidade de nadar”, diz Morgan. Pesquisas futuras vão explorar por que a via Wnt parece ser particularmente importante no processo de cicatrização.

 

Explore: Scientists find genes linked to human neurological disorders in sea lamprey genome

Mais informações: Paige E. Herman et al (2018) Highly conserved molecular pathways, including Wnt signaling, promote functional recovery from spinal cord injury in lampreys. Scientific Reports, 2018. 

Referência:  Nature

Fornecido por: Marine Biological Laboratory 15 de janeiro de 2018

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