Um exame de sangue que pode prever parto prematuro

Teste que mede o RNA livre nas células do sangue materno pode determinar com alta precisão se o parto será prematuro, de acordo com estudos publicados na revista Science. O exame de sangue indica também a idade gestacional do feto e a data do parto com a mesma precisão do ultrassom e a menor custo, disseram cientistas de uma equipe internacional, liderada por pesquisadores da Universidade de Stanford.

                 Crédito da foto: Projeto Genoma Humano – EUA

Nove transcrições de cfRNA, que são encontradas somente na placenta, foram identificadas

e testadas no sangue de 31 grávidas saudáveis na Dinamarca, com o objetivo de prever a idade gestacional. Os pesquisadores construíram um modelo estatístico, usando amostras de sangue de 21 das mulheres dinamarquesas, sendo que todas tiveram gravidez a termo (>37 semanas). O professor Thuy T.M. Ngo, e colegas, validaram o modelo, usando amostras de sangue das dez mulheres restantes no estudo. Eles descobriram que o exame de sangue era comparável em eficácia aos resultados de ultrassom nos três trimestres de gravidez.

Os pesquisadores observaram que o exame de sangue pode ser realizado a qualquer momento durante a gravidez e não requer conhecimento do último período menstrual para ser preciso. É também menos dispendioso e mais acessível do que o ultrassom, para o qual os provedores precisam ter acesso a equipamentos caros e técnicos treinados.

Parto prematuro – previsão genética

Em estudo posterior, foram analisadas 38 mulheres sob risco de parto prematuro – 25 delas tiveram gravidez a termo e 13 tiveram parto prematuro. Nessas mulheres a equipe identificou sete transcritos de cfRNA que predisseram o nascimento adiantado dos bebês.

Foram estudados dois grupos – 15 mulheres registradas na Universidade da Pensilvânia que tiveram contrações prematuras e 23 mulheres recrutadas pela Universidade do Alabama, em Birmingham, que tiveram parto prematuro espontâneo. Quase metade das mulheres recebeu injeções de progesterona em um esforço para prevenir o parto prematuro, e todas elas entraram em trabalho de parto espontaneamente

Em comparação com outros testes, os pesquisadores disseram que o teste de transcrição de cfRNA obteve expressivos melhores índices de precisão, e teve um valor preditivo positivo maior em comparação à medição cervical por ultrassonografia transvaginal (17%), ou a fibronectina fetal cervicovaginal 21%).

Os estudos foram limitados pelo pequeno tamanho da amostra e inclusão de apenas mulheres caucasianas e afro-americanas, e mulheres que já foram consideradas em risco de parto prematuro. Além disso, muitas receberam injeções de progesterona. Será necessário agora fazer um ensaio clínico randomizado, duplo cego, com uma população de mulheres não selecionada, mais ampla e etnicamente diversa, para validar os resultados dos estudos-piloto.

Ainda assim, a medição de cfRNA “oferece uma visão de alta resolução da gravidez e do desenvolvimento humano que ninguém nunca viu antes”, relatou o Dr. Ngo, e “nos diz muito sobre o desenvolvimento humano na gravidez normal”.

O nascimento prematuro é a principal causa de mortalidade e morbidade perinatal nos Estados Unidos e é muito difícil de ser previsto, usando os testes atualmente disponíveis.

Artigo completo:  http://science.sciencemag.org/content/360/6393/1133.long

 

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