Aborto de repetição: novo exame permite saber as causas do problema com 99% de sucesso

Por dezembro 18, 2018Imprensa, Matérias Chromosome

Identificar o motivo do aborto é essencial para uma futura gravidez sem dificuldades

Veículo: Pais&Filhos
Data: 13/12/2018
Link: https://paisefilhos.uol.com.br/gravidez/aborto-de-repeticao-novo-exame-permite-saber-as-causas-do-problema-com-99-de-sucesso/

Uma gravidez esperada sempre gera muitas expectativas e felicidade. Mas quando ela não evolui como desejado e a mulher sofre um aborto, pode ocasionar sofrimento, insegurança e até culpa. Para algumas mulheres, o medo do aborto é maior do que a demora para engravidar, principalmente se elas passaram por abortos de repetição — casos em que ocorreram três abortos seguidos.

Jennifer Detlinger ,
Filha de Lucila e Paulo

Uma pesquisa realizada em 2015 comprovou que entre três mulheres que sofreram um aborto espontâneo, duas não conseguem contar nem para suas melhores amigas sobre o ocorrido. A perda de um bebê pode ser traumatizante, isoladora e difícil de esquecer. Esse é um assunto muito sério e delicado, já que gera grande frustração para o casal, que está ansioso e cria expectativas para a chegada do bebê.

Os abortos são comuns em ao menos 20% das mulheres, tanto para as gestações naturais, quanto para as fertilizações. “Nem sempre o aborto acontece no primeiro trimestre, mas de fato é o período mais preocupante. O que deve ser levado em consideração é quando o aborto acontece mais de três vezes com menos de 20 semanas de gestação. Pode ter fator genético envolvido e por mais doloroso que seja o momento, a causa deve ser investigada”, afirma Dr. Ciro Martinhago, geneticista e diretor da Chromosome, clínica e laboratório especializada em medicina genômica.

Por que acontece?

“São muitos os casos e condições que podem causar um aborto espontâneo. Alguns fatores combinados, inclusive. Mas, tratando de genética, condições que podemos detectar analisando o feto, é possível identificar, prevenir e tratar alguns casos para evitar abortos futuros. Cerca de 60% dos casos de aborto que são investigados apontam como causa as alterações genéticas no embrião. Mas, as causas genéticas também podem incluir algumas anomalias monogênicas. E sempre ressalto o impacto da idade materna já que o risco de aborto devido a alteração genética é de 10% em mulheres com menos de 35 anos, e de 50% em mulheres com mais de 35 anos”, reforça o geneticista.

Além das alterações cromossômicas, que acontecem durante a divisão das células para formação dos óvulos e espermatozoides, as causas mais comuns são mudanças da anatomia do útero, miomas maiores que 4 centímetros, pacientes com trombofilia, diabetes, distúrbios da tireoide e hábitos como tabagismo, obesidade, alcoolismo ou uso de drogas.

Exames sem medo

A dor de um aborto anterior é tão grande que qualquer sinal de sangramento ou de anormalidade em uma nova gravidez já pode causar ansiedade e medo. Por isso, é muito importante investigar e saber o motivo da perda gestacional — a determinação da causa do aborto pode permitir tratamentos e intervenções clínicas necessárias para o sucesso da próxima tentativa, além de dar mais tranquilidade ao casal que lida com um aborto.

O problema é que os exames convencionais só dão resultados concretos em 60% dos casos de abortos investigados. No entanto, nos últimos anos, novos estudos e técnicas possibilitaram mais precisão para identificar os motivos da perda gestacional.

É o caso da clínica Chromosome, em São Paulo, que trouxe para o Brasil uma nova técnica, com o exame AFERO, que permite resultados assertivos em 99% dos casos. “Considerando que as alterações cromossômicas são responsáveis por 60% dos abortos, e podem chegar a 85% dependendo da idade materna, acho essencial fazer o mapeamento genético do feto”, explica o especialista.

Se você passou ou está passando por isso, temos uma informação que pode te dar esperança e alívio: mesmo após três abortos consecutivos, as chances de uma mulher ter uma gestação com sucesso são de 70%. “Um conselho que posso dar é que o casal sempre investigue a causa, mesmo que seja um momento muito dolorido. Enfrentar isso é a chance aumentada de não ter de passar por isso de novo. Além disso, é recomendado acompanhamento psicológico e estilo de vida que favoreça o bem-estar e afaste a ansiedade e a tensão”, conclui o médico.

 

 

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