Exame de sangue define paternidade durante gestação

Por agosto 25, 2013Blog ‘Chromosome News’

 

Teste de paternidade

Teste de paternidade através de sangue define paternidade durante gestação

 

Teste de Paternidade

Exame de sangue procura o DNA fetal circulante na mãe e compara com material obtido do candidato a pai.

Verificação pode ser feita com nove semanas de gravidez; preço fica em torno de R$ 3.000 em São Paulo

Ao menos duas clínicas paulistanas já oferecem às gestantes uma forma de tirar uma dúvida importante sobre o futuro bebê com uma simples coleta de sangue: quem é o pai?

O exame usa o mesmo princípio dos testes que chegaram ao país no início deste ano e analisam o material genético do feto circulante no sangue da mãe durante a gestação.

Com eles, já é possível determinar com mais de 99% de precisão se o feto tem síndrome de Down, Edwards, Patau, Turner, Klinefelter e triplo X a partir das nove semanas de gestação. O sangue coletado como num exame de rotina é enviado aos EUA para análise. Os preços ficam em torno de R$ 2.000 a R$ 4.000, dependendo do laboratório.

Antes, o diagnóstico dessas síndromes dependia da análise do ultrassom morfológico e de exames que medem alterações em uma proteína e em um hormônio ou da realização de testes invasivos, como a retirada de líquido amniótico e a biópsia de uma amostra da placenta.

Esses dois últimos também podem ser usados para determinar a paternidade durante a gestação mas, como eles trazem um risco de cerca de 0,5% de causar um aborto, há um sério problema ético em pedir um exame como esse só para saber quem é o pai.

Segundo o geneticista Dr. Ciro Martinhago, que realizou o novo teste de paternidade por exame de sangue em duas mulheres, os exames invasivos são pedidos só para gestantes que tenham um risco maior do que 0,5% de ter um bebê com anomalias cromossômicas, como mulheres com mais de 35 anos. “Mas sabemos que algumas pessoas faziam esse exame para saber a paternidade. Agora, tendo o exame não invasivo, não se corre mais esse risco.”

teste de paternidade em sp

COMO FUNCIONA

O teste procura “trocas” de letras no DNA (A, C, T, G) do feto conhecidas como SNPs. Esses marcadores são passados de pai para filho e servem como indicador de paternidade. O novo teste avalia mais de 200 mil dessas “trocas” e compara o DNA da mãe, do feto e do suposto pai.

“O teste não tem validade na Justiça. Uma cliente queria saber com qual de dois homens deveria se casar. Outra porque abortaria se o bebê não fosse do marido”, diz Martinhago. O aborto só é permitido no Brasil em caso de estupro, risco de vida para a mãe e anencefalia.

“Com o exame mais precoce, você abrevia a angústia de uma mulher numa situação grave, que precisa confirmar quem é o pai do bebê”, afirma o ginecologista Arnaldo Cambiaghi, diretor do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia.

Uma paciente atendida no instituto fez o teste de paternidade por meio do exame de sangue da mãe há cerca de três meses.

A geneticista Denise Christofolini, responsável pelo exame, conta que a mulher, com nove semanas de gestação, enviou o material genético –que pode ser amostra de sangue ou de saliva– de um suspeito de ser o pai, confirmado depois.

“Acho que esse teste de paternidade pode ser mais usado quando o homem não tem certeza se é o pai daquele bebê e pede o exame à gestante”, diz.

Mas o exame também pode ser usado em caso de relação extraconjugal da mulher.

Para a geneticista da USP Mayana Zatz, se isso envolver coleta às escondidas de material dos envolvidos, a história fica “muito complicada” do ponto de vista ético.

“O relacionamento já começa baseado em mentiras. Mas, para a mulher que está tendo um caso, a coleta de forma antiética é o menor dos problemas”, acredita.

Outra questão de cunho ético envolve a possibilidade de aborto com o resultado de um exame feito com poucas semanas de gestação.

“Sempre haverá essa brecha, mas é um direito da mãe ter essa e outras informações, como se o filho terá uma alteração cromossômica. O exame pode também evitar um aborto quando o pai resolve assumir ou quando ela confirma que o filho é do marido”, afirma Cambiaghi.

Para especialistas, o teste de paternidade abre um caminho para o diagnóstico e o tratamento de problemas genéticos ainda dentro do útero.

“Quem sabe não teremos no futuro uma espécie de teste do pezinho intrauterino”, diz o médico Edson Borges, da clínica Fertility.

DÉBORA MISMETTI
EDITORA DE “CIÊNCIA+SAÚDE”
MARIANA VERSOLATO
EDITORA-ASSISTENTE DE “CIÊNCIA+SAÚDE”
FOLHA DE SÃO PAULO

www.chromosome.med.br

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